Resenha - O Chamado da Tribo
- Líderes
- 21 de nov. de 2023
- 2 min de leitura
Resenha Crítica por Gustavo Viana, Associado I do Instituto Líderes do Amanhã
Em “O Chamado da Tribo”, Mário Vargas Llosa apresenta uma autobiografia intelectual que narra sua trajetória de socialista a liberal. O livro é dividido em três partes: na primeira, o autor conta sua infância e juventude no Peru, onde foi influenciado pelos movimentos marxista e nacionalista. Na segunda, ele descreve sua experiência como estudante na Europa, onde teve contato com o liberalismo clássico. Na terceira, ele analisa o pensamento de alguns dos principais pensadores liberais.
O livro é escrito de forma clara e envolvente, e permite ao leitor acompanhar a evolução da linha de pensamento de Llosa. O autor é um escritor talentoso, e sua obra é rica em detalhes e percepções valiosas.
A primeira parte do livro inicia com o autor contando sua infância em Arequipa, no Peru. Ele descreve uma infância feliz e despreocupada, mas também marcada pela pobreza e pela desigualdade social. Llosa se identificava com a classe proletária e esse sentimento de identificação o levou a abraçar o marxismo.
Na adolescência, Llosa tornou-se um militante do Partido Comunista Peruano. Ele participou de protestos e manifestações e foi preso por suas atividades políticas. Nessa época, acreditava que o marxismo era a única forma de acabar com a desigualdade social e promover a justiça.
Em 1959, Llosa foi estudar na Europa, onde se matriculou na Universidade de Madrid e teve seu primeiro contato com o liberalismo clássico. A partir desse momento, começou a questionar suas convicções marxistas e passou a se interessar pelo pensamento liberal.
Na segunda parte do livro, o autor descreve sua experiência na Europa e conta como foi influenciado por autores liberais. Passando, então, a acreditar que o liberalismo era a melhor forma de garantir a liberdade individual e o progresso social.
A terceira parte do livro é dedicada à análise do pensamento de alguns dos principais pensadores liberais. A obra apresenta a história e as principais ideias de sete autores: Adam Smith, José Ortega y Gasset, Friedrich von Hayek, Karl Popper, Isaiah Berlin, Raymond Aron e Jean-François Revel.
Llosa discute principalmente as ideias de Smith sobre a natureza do homem, as ideias de Ortega y Gasset sobre o entendimento das massas (apesar de criticar o “liberalismo parcial” de Gasset), as ideias de Hayek sobre o mercado e a filosofia, as ideias de Popper sobre a percepção da verdade, as ideias de Berlin sobre a liberdade individual, as ideias de Aron sobre o progresso e as ideias de Revel sobre a liberdade de expressão.
Baseado nas obras desses brilhantes autores liberais, Llosa defende veemente que o liberalismo é a única ideologia que pode garantir a liberdade individual e o progresso social. Ele argumenta que o socialismo é uma ideologia totalitária que oprime a liberdade individual.
“O Chamado da Tribo” é uma defesa do liberalismo e um importante contraponto às ideologias totalitárias. O livro é leitura obrigatória a todos que se interessem por política, filosofia e história, e queiram entender as ideias do liberalismo.

Gustavo Viana, Associado I.

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