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Resenha - Liberalismo

  • Líderes
  • 31 de out. de 2023
  • 4 min de leitura

Resenha Crítica por Luis Bissoli, Associado III do Instituto Líderes do Amanhã


Antes de tratar desta obra de Ludwig Von Mises, escrita em 1927, é importante lembrar as palavras de Bettina Bien Greaves em 1985, que nos apontou, no prefácio do livro, que a palavra Liberalismo não significa exatamente o que o senso comum está acostumado, pois foi apropriada por filósofos socialistas, especialmente nos Estados Unidos, para uso em seus programas de intervenção estatal e de “bem-estar”.


Não tenho a intenção de fazer um resumo completo desse livro, mas dar ênfase aos dois primeiros capítulos, que por sinal são fundamentais para que qualquer pessoa entenda sobre o pensamento liberal, pois neles estão a fundamentação clara e simples sobre o que é uma política econômica liberal.


No primeiro capítulo, denominado “os fundamentos da política econômica liberal”, Mises traz os fundamentos base do pensamento liberal, atribuindo ao Estado a função de defender principalmente a propriedade privada, a liberdade e a paz.


Aqui temos uma questão para refletirmos: deveria o homem desprezar o uso da razão justamente na esfera do social, e confiar nos sentimentos e impulsos vagos e obscuros? Talvez isso explique a imensa influência das narrativas marxistas em nossa sociedade atual, pois o tempo todo somos bombardeados com notícias, filmes e mídias, que geram uma distorção dos fatos: já sabemos bem dos seus resultados catastróficos que isso já causou a humanidade nos últimos séculos.


A narrativa socialista, em sua propaganda antiliberal, evita mencionar a palavra “liberalismo” com muita frequência, e prefere fazer uma associação entre o sistema liberal com o termo “capitalismo”. Dessa maneira, é mais fácil usar o argumento de luta entre classes, afinal, quem nunca viu alguém dizendo que o patrão está rico, pois explora o funcionário, provando isso essa semana, o presidente do Brasil, Luiz Inácio da Silva, disse em um evento na Argentina: “o empresário não ganha muito dinheiro, porque ele trabalhou, ele ganha muito dinheiro, porque os trabalhadores dele trabalharam.”


Quando o assunto é propriedade privada, os liberais mantêm a opinião de que o único sistema de cooperação humana que, de fato, funciona numa sociedade baseada na divisão de trabalho, é a propriedade privada dos meios de produção.


Ao contrário de Lênin, que chamou a liberdade de “preconceito burguês”, somente um sistema baseado na liberdade para todos os trabalhadores garante a maior produtividade do trabalho humano, e é, por conseguinte, de interesse de todos os habitantes da terra. Este é o resultado do trabalho livre. Ele é capaz de criar mais riquezas para todos do que o trabalho escravo pode oferecer aos senhores.


Não existe ameaça maior à paz do que uma guerra, assim, o liberal abomina a guerra, não como o humanista, que a abomina a o pensamento de que ela traga consequências benéficas, mas pelo fato de que ela provoca apenas consequências fúnebres e sobre-humanas. A guerra vitoriosa é um mal, até mesmo para o vencedor, assim para um liberal, a paz é sempre melhor do que a guerra.


No segundo capítulo, Mises aborda como deve agir o Estado para uma Política Econômica Liberal. Para início de conversa, é preciso entender quais são os cinco sistemas de organização e cooperação entre indivíduos em sociedade citados na obra: o sistema capitalista, o sindicalista, o socialista e o intervencionista. Atualmente na maioria dos países estão organizados por sistemas intervencionistas. O Intervencionismo é uma terceira via de organização social, que está entre socialismo e capitalismo, nele o sistema de propriedade privada é regulado, controlado e dirigido por decretos autoritários (atos de intervenção).


Uma confusão que muitos fazem até hoje é não saber a diferença entre um sistema de organização social e um sistema político, assim ainda temos muita gente falando de democracia, que, de acordo com o dicionário, é o sistema político em que os cidadãos elegem os seus dirigentes por meio de eleições periódicas, quando deveriam se referir ao sistema intervencionista. No Brasil ainda temos um agravante sobre intervenção, pois, com o passar do tempo, o Estado foi absorvendo responsabilidades de cuidar de questões sociais baseadas nas ideias socialistas, um exemplo disso é a nossa CLT (Consolidação das Leis de Trabalho), que interfere diretamente nas relações de trabalho.


O Brasil é um país modelo quando o assunto é intervencionismo, pois segundo estudo do ministro Ives Gandra Filho, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), atualmente temos mais de 34 mil leis em vigor. Segundo Mises, controlar tudo, e não deixar espaço para que nada aconteça sem seu consentimento, sem a interferência das autoridades , essa é a meta à qual se volta secretamente todo governante. Em contrapartida a tudo isso, ainda, se o capitalismo se tem mantido, apesar da inimizade que sempre encontrou quer dos governos quer das massas, se não tem sido obrigado a abrir caminho para outras formas de cooperação social, as quais têm gozado, em grau Política Econômica Liberal muito maior, das simpatias dos teóricos e de homens de negócios de conhecimento apenas prático, isto deve ser atribuído, tão somente, ao fato de que nenhum outro sistema de organização social é factível.


Enfim, qualquer um, ao ler esta obra, pode entender com clareza absoluta que o liberalismo é o único sistema que defende liberdade em todos os âmbitos e traz luz aos conceitos deturpados durante décadas pela propaganda socialista com suas narrativas e ideias distorcidas, colocando a razão no centro e refutando argumentos que na vida real não funcionam e só causam sofrimento e dor ao ser humano.


Luis Bissoli, Associado III.

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