Resenha - Equipes Brilhantes
- Líderes
- 5 de set. de 2023
- 5 min de leitura
Resenha Crítica por Christiano Carneiro, Associado I do Instituto Líderes do Amanhã
Equipes brilhantes é um livro escrito por Daniel Coyle, jornalista e consultor do Cleveland Indians, equipe americana de beisebol profissional. Essa obra tem como ponto forte o tema cultura, que, segundo Daniel Coyle, é uma das mais poderosas forças do planeta. O livro segue uma abordagem diferente, pois o autor passou os últimos quatro anos pesquisando grupos bem-sucedidos, com intuito de explicar que a cultura deles são criadas por um conjunto específico de habilidades, e são essas habilidades que Coyle traz no livro segmentadas em três momentos:
Habilidade I: Construir segurança. Aqui, Coyle atribui o sucesso de um grupo não à inteligência de seus integrantes, mas à sensação de segurança, pois a segurança não é apenas o clima emocional, mas a verdadeira fundação sobre a qual se ergue uma cultura forte. Após suas pesquisas na equipe SEAL da marinha dos Estados Unidos, no estúdio de cinema e na escola da periferia, Coyle reparou um padrão diferente de interação que não estava nas grandes coisas, mas nos pequenos momentos de conexão social. Por isso, fez uma lista com fatores relevantes que percebeu que valorizavam essas interações, como a proximidade física, os contatos visuais intensos, o toque físico, as conversas curtas e com energia.
O autor traz o tema “pertencimento” nos demais capítulos que complementam a habilidade I. Pertencimento este que nada mais é do que uma boa conexão. Segundo ele, o pertencimento necessita ser continuamente atualizado e reforçado. Mas, como construí-lo? Coyle traz algumas informações sobre seus estudos feitos com Popovich, treinador vitorioso do time San Antonio Spurs, da liga americana de basquete, a NBA. E Popovich, quando quer se conectar com um jogador, ele faz duas coisas: diz a verdade, sem enrolação, e, então, passa a amar seu jogador até o fim. E o técnico utiliza duas perguntas como metodologia para trabalhar o pertencimento, que são: “O que achou disso?” e “O que teria feito na mesma situação”?
E além de como construir o pertencimento, Coyle traz em um de seus capítulos a importância de projetar o pertencimento. Aqui, a proximidade é a habilidade que se destaca. O que mais se importa na criação de uma equipe de sucesso não tem relação com a inteligência e as experiências, e sim a proximidade, pois ela funciona como uma espécie de droga de conexão, pois basta chegar perto e a tendência para conexão é acionada. Ele menciona que trabalhadores que compartilhavam um mesmo local de trabalho mandavam quatro vezes mais e-mails do que aqueles que não compartilhavam e, como resultado, concluíam projetos 32 vezes mais rápido, pois a proximidade ajuda a criar as eficiências da conexão.
Para finalizar a habilidade I, o autor fecha o capítulo 6 fornecendo algumas dicas de como construir segurança, deixa claro desde o início que os lideres estão sujeitos a erros, que é preciso compartilhar notícias ruins ou feedbacks duros, projetar relacionamentos duradouros, exagerar nos agradecimentos ao time, cuidar do processo de contratação, criar espaços seguros e ricos em conexões, garantir que todos tenham voz, valorizar momentos de transição e aproveitar a diversão.
Na habilidade II, o tema “compartilhar vulnerabilidades” é o destaque em questão, que, segundo Coyle, é o segredo da colaboração. Isso ocorre pois, ao compartilhar fraqueza, reforça-se os laços e cria conexões. E o autor faz um paralelo com o tema “liderança”, que, quando um líder reconhece seus pontos fracos, sai da defensiva e gera um sinal claro de um ambiente seguro onde liderado passa a fazer o mesmo e reforça o sentimento de uma equipe unida, pois é isso que gera a confiança e cria-se um ambiente cooperativo, pois o time se une e gera-se uma dependência mútua.
Coyle traz, em alguns passos o como compartilhar vulnerabilidades, e, como já mencionado, o líder precisa tomar a iniciativa de se expor, saber se comunicar e cuidar dos assuntos negativos pessoalmente.
E, por fim, na habilidade III, o autor busca explicar como estabelecer propósitos, definindo e comunicando prioridades e como estes hábitos estimulam todos os tipos de resultados, desde a excelência operacional com tarefas repetitivas até a criatividade que é estimulada mais pela inovação.
Aqui, ele mostra que nas culturas bem-sucedidas os indivíduos compartilham um pequeno conjunto de sinais que servem como uma bússola: Onde estamos? Aonde queremos chegar? Como chegaremos lá? E quais os obstáculos? Quando essas quatro perguntas são respondidas por cada um, todos saberão aonde ir, e este é o sentido do propósito, ou seja, definir e comunicar prioridades que, segundo Coyle, estimula a criação de propósito, não sendo uma força que vem de dentro e sim uma clareza que vem de fora. Um dos destaques da habilidade III foram os capítulos 15 e 16, os quais retratam sobre a forma ideal de liderar grupos para uma proficiência suficiente. Neste caso, o autor traz o exemplo de Danny Meyer, responsável por inúmeros restaurantes nos Estados Unidos, cuja principal lição trazida por ele é que, por mais que ainda não tinha domínio sobre administração e fluxo de caixa, uma coisa ele sabia muito bem: Saber como queria que as pessoas se sentissem ao frequentar seus restaurantes. Neste capítulo, ele conclui que o modo como se trata uns aos outros é tudo e, se isso for feito direito, todo o resto se “encaixará”. Por isso, todos seus funcionários são treinados a focar no cliente e saber como cada um deles gosta de ser tratado.
No capítulo 16, o tema trazido é: Como liderar grupos criativos. Agora, a empresa Pixar é trazida como referência, sob a gestão de Ed.Catmull, presidente e cofundador do grupo. Catmull revela que construir propósito em um grupo criativo não tem a ver com gerar um momento brilhante de grande avanço, mas sim com construir sistemas capazes de revirar muitas ideias para ajudar a desenterrar as opções corretas.
Uma reflexão interessante trazida por ele é: “Dê uma boa ideia a uma equipe medíocre e ela vai encontrar uma forma de estraga-la. Dê uma ideia medíocre a uma boa equipe e vão encontrar um jeito de melhorá-la. ” Ou seja, a meta do gestor precisa ser acertar a equipe e fazer seus integrantes se movimentarem, não dizendo o tempo todo o que precisa ser feito, mas fazê-los enxergar onde estão cometendo erros e onde estão tendo sucesso. E, dentro dos corredores da Pixar, o que mais se ouve são as teorias de Catmull, como: “Contrate gente mais esperta que você, enfrente os problemas, fracasse cedo e com frequência, é mais importante investir em gente boa do que em boas ideias."
Ou seja: enquanto, para Meyer (capitulo 15), as pessoas precisam saber exatamente o que fazer, Catmull defende a necessidade que elas descubram sozinhas. Além disso, o importante é saber diferenciar que, para um grupo, fala-se de pessoas com foco no operacional, enquanto no outro, suas características são a criatividade.
E, assim, Coyle conclui sua obra trazendo, em três habilidades, todas as características de como desenvolver uma equipe brilhante.



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