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Resenha - Empresas Feitas Para Vencer

  • Líderes
  • 10 de jul. de 2023
  • 5 min de leitura

Resenha Crítica por Juliana Bravo, Associada II do Instituto Líderes do Amanhã


Nascido em 1958, o americano Jim Collins se tornou uma importante referência no mundo corporativo. Seja por seu trabalho na Mckinsey Company (líder mundial no mercado de consultoria empresarial) ou pelos clientes famosos, como Budweiser e Heinz, Collins é expoente no mundo da gestão de empresas. Com suas experiências profissionais compiladas em obras escritas, Collins tornou-se acessível ao grande público e vem auxiliando gestores e empreendedores a enfrentarem os desafios de gerir companhias.


Publicado originalmente em 2001, o best-seller “Empresas Feitas Para Vencer” é considerado um clássico moderno da teoria da administração, no qual Collins identifica e avalia os fatores que diferenciam empresas comuns de empresas realmente vencedoras. A partir de critérios que levam em conta o desempenho financeiro acima da média do mercado durante um determinado período, o autor identifica comportamentos invariavelmente menosprezados por gestores que têm o potencial de alavancar a saúde financeira e gerencial do negócio.


No primeiro capítulo, somos apresentados justamente à metodologia utilizada na seleção das empresas que serviram de base para as descobertas do livro. Collins também enfatiza que fatores como remuneração do CEO, fusões e aquisições, e tecnologia desempenharam papéis menores do que se poderia imaginar no alcance da excelência pelas empresas estudadas, enquanto fatores como disciplina e execução impactaram muito mais nesse processo.


O autor afirma que um dos principais diferenciais das empresas vencedoras é a natureza das lideranças. Ele enxerga a liderança como uma hierarquia de cinco níveis de capacidades executivas. No primeiro nível, fala-se em capacidades e habilidades individuais que, não obstante imprescindíveis, nem sempre são o suficiente para tornar alguém apto a liderar uma equipe. No segundo nível, para além de habilidades individuais, o profissional é solícito e tem a capacidade de agregar valor ao trabalho em equipe. Subindo para o terceiro nível, Collins aponta para a figura do gerente, profissional com maior noção administrativa, que está apto a organizar a equipe para alcançar os objetivos da companhia. Continuando a escalada, no quarto nível, temos um indivíduo conhecedor do perfil da equipe e que consegue, além de gerenciar pessoas e processos, traduzir metas por meio de uma visão estruturada de toda a empresa. Por fim, é no quinto nível que se encontra o auge da liderança. Trata-se do profissional que desempenha com excelência a condução do capital humano da companhia, dedicando-se com sabedoria e visão de longo prazo à formação de novas lideranças internas.


Após o entendimento acerca dos degraus de liderança, Collins explica que, normalmente, pensamos que para tornar uma empresa bem-sucedida, é imperativo ter visão e estratégia e, só depois disso, encontrar pessoas aptas para concretizar tais ideias. De modo figurativo, seria definir a direção do ônibus e só depois ter as pessoas que o levem ao objetivo. No entanto, o autor afirma que a ordem é a inversa: primeiro se colocam as pessoas certas no ônibus para que então se defina a direção. Um excelente exemplo disso foi o que aconteceu na Wells Fargo. Dick Cooley, CEO da empresa na década de 1970, sentindo que haveria mudanças no setor bancário, promoveu uma série de contratações de bons profissionais, ainda que não soubesse exatamente onde especificamente iria alocá-los. Quando, de fato, as mudanças aconteceram, a Well Fargo se destacou de suas concorrentes ao lidar com as transformações do setor.


Collins também ressalta a importância de manter o rigor em todas as decisões que envolvem os colaboradores. Ele recomenda mover funcionários e gerentes estagnados para novos cargos, mas não hesitar em removê-los caso não haja contribuição ativa. O autor também recomenda o adiamento de contratações até que um candidato absolutamente adequado seja identificado. Seguir essas duas diretrizes, afirma Collins, provavelmente economizará tempo, esforço e recursos a longo prazo.


No quarto capítulo, Collins trata do enfrentamento da verdade nua e crua sem que se perca a fé. Durante a Segunda Guerra Mundial, quando boa parte da Europa estava sob o controle nazista e todos esperavam que a Grã-Bretanha se rendesse, Churchill sabia que seus homens poderiam temer trazer-lhe más notícias, então ele criou todo um departamento especial, cuja função era o fornecimento de fatos crus e não filtrados. Para Collins, não existe maior erro de liderança do que alimentar falsas esperanças. Apesar de reconhecer que é difícil motivar as pessoas com a verdade crua, Collins oferece técnicas para que, mesmo em situações difíceis, a equipe não seja desmotivada. Uma das técnicas mais interessantes é a de liderar por meio de perguntas, não de respostas. O autor afirma que, em empresas vencedoras, o líder lança mão do método socrático de endereçamento de perguntas com o fim da obtenção do entendimento.


Avançando na obra, o autor introduz a metáfora do porco-espinho para ilustrar o princípio aparentemente contraditório de que a simplicidade pode levar à grandeza. Quando confrontado por predadores, a resposta simples, mas eficaz, do animal é se enrolar para se proteger. Para o autor, parte do processo para se tornar uma empresa vencedora é focar em algo se faça melhor do que os concorrentes, em detrimento de fazer muitas coisas apenas boas.


Outra característica definidora das empresas que Collins analisou é a cultura da disciplina que, aliás, não deve ser confundida com a ideia de autoritarismo. A disciplina apontada pelo autor refere-se ao grau de organização no qual os membros sejam movidos por um implacável senso de determinação. Neste tipo de organização, cada indivíduo funciona como um empreendedor, com um investimento pessoal enraizado no seu próprio trabalho e no sucesso da empresa. O resultado dessa cultura é uma espécie de devoção aos objetivos traçados pela companhia.


Atualmente, muitas empresas dependem da tecnologia para aumentar a eficiência e reduzir custos gerais. Collins adverte, porém, que a tecnologia não deve ser uma panaceia para todos os males de uma empresa. A tecnologia tem o papel de impulsionar uma empresa naquilo que ela faz de melhor, mas não deve ser confundida com seu próprio motor.


Na análise documentada na obra, empresas que se tornaram excelentes buscaram ser melhores a cada dia. que passa. Apesar do equívoco popular de que o sucesso ou o fracasso nos negócios ocorre repentinamente, Collins afirma que tudo é um processo que ocorre ao longo dos anos e que ambos – sucesso e fracasso - só irrompem após o acúmulo de impulso suficientes. Ao tomar decisões e ações que reforçam as competências do "porco-espinho" da empresa, os executivos iniciam um impulso positivo. Isso, por sua vez, resulta no acúmulo de resultados positivos tangíveis, que não apenas conquistam a equipe, mas possibilitam que a empresa saia de “boa” para “excelente”.


Recheada de exemplos concretos e dotada de uma linguagem descomplicada, a obra de Jim Collins é verdadeiro epítome de gestão e ratifica a ideia de que, mais do que tecnologia, a chave para o sucesso recai fortemente sobre as pessoas. Leitura obrigatória para quem almeja subir alguns degraus – quiçá chegar ao cume – da escada em direção à excelência de uma empresa.


Juliana Bravo, Associada II.

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