top of page

Resenha - Eexecução: A disciplina para atingir resultados

  • Líderes
  • 21 de nov. de 2023
  • 4 min de leitura

Resenha Crítica por Silvia Baratella, Associada II do Instituto Líderes do Amanhã


Há um abismo entre ter uma boa ideia, e colocá-la em prática. Emagrecer, por exemplo, é uma excelente estratégia quando o indivíduo está com sobrepeso, porém, é necessário disciplina, planejamento e acompanhamento, para que o resultado esperado, o emagrecimento, seja atingido. A prova de que executar esse plano é um desafio está nos números: hoje, mais de 1 bilhão de pessoas no mundo são obesas.


Nas empresas, a realidade não é diferente. Estratégias propostas são, muitas vezes, vistas como brilhantes e excepcionais pelo corpo da alta gestão, e por todos os colaboradores de uma companhia, mas falham abruptamente quando são, ou pelo menos deveriam, ser colocadas em prática.


Larry Bossidy atuou por mais de 30 anos na General Electric, após deixar o cargo de CEO da AlliedSignal. Juntamente com Ram Charan, consultor de conselhos de administração de grandes empresas e importantes CEOs, escreveu o livro Execução, no qual desmistifica o hiato que existe entre a promessa e a realização, ou ainda, entre a iniciativa e a entrega final.

Para iniciar a jornada, é necessário desconstruir a ideia de que o gestor nunca deve executar. Pelo contrário, um bom gestor é o grande responsável pela execução da estratégia construída. A grande questão abordada é como ele irá realizar o plano, utilizando os recursos disponíveis. O cerne da questão é: como executar, sem fazer? Ou melhor, como executar, sem fazer, mas garantindo que os outros o façam?


Nesse contexto, é comum nos depararmos com dois tipos de líderes em nossa jornada profissional: de um lado, aqueles que são extremamente controladores, querem microgerenciar os mínimos detalhes, e com isso, sufocam toda a criatividade e capacidade de entrega da equipe, à medida que lhes tira toda a autonomia. Do outro, aqueles que abandonam seu time, confiando cegamente em sua capacidade e comprometimento, e deixando de lado o acompanhamento de entregas e marcos importantes.


Para não cair nessas armadilhas e ser um líder capaz de extrair o melhor de seus subordinados, é preciso compreender que existem três processos-chave na execução: pessoas, estratégia e operações. Um líder focado em executar não se concentra apenas nos três processos isoladamente, mas também na conexão deste importante tripé.


Conhecer a empresa e o negócio é fundamental. As visitas aos demais sítios não devem ser meras formalidades, como se o líder estivesse no papel da Rainha Elizabeth, visitando seus países colonos no século passado. É preciso entender os problemas, seguir o roteiro da visita com os checkpoints claros, fazer perguntas a colaboradores de todos os níveis operacionais, e dessa forma, conhecer a realidade, bem como estar apto a dar o feedback adequado ao responsável pela gestão daquela unidade. Além disso, é importante estabelecer relacionamento pessoal, para conhecer o perfil dos colaboradores e para que esses compreendam que são importantes para o negócio, e são ouvidas e notadas.


Se você já conhece a empresa, e os talentos, o próximo passo é colocar as pessoas certas nos lugares certos. É preciso conhecer as habilidades de quem está à disposição e quais as habilidades necessárias para o cargo pretendido. Um time que aloca seu melhor goleiro no ataque, e o técnico para ajudar na marcação, praticamente não tem chances de chegar à vitória contra um bom adversário.


Mas por que vemos tantas pessoas em posições inadequadas dentro das companhias? Segundo Bossidy e Charan, por basicamente três motivos: desconhecimento do líder, seja sobre os integrantes do time disponíveis para a vaga ou desalinhamento com o escopo de habilidades solicitadas para a vaga, falta de coragem e firmeza emocional do líder para tomar decisões difíceis, como no caso de uma demissão de um colaborador que não esteja performando adequadamente, ou a preferência em lidar com pessoas de fácil trato, que irão gerar menos conflitos na relação.


Com um bom time formado, ainda é necessário ter cuidado no desenvolvimento da estratégia. As metas definidas precisam ser desafiadoras, porém factíveis. Todo alvo definido deve ter um plano claro de como isso pode ser alcançado, quais serão as premissas adotadas, quais são as ações e resultados esperados de curto, médio e longo prazo, qual o contexto do ambiente externo que foi utilizado para as definições, e por último, mas não menos importante, qual é o plano de contingência caso seja detectado que os resultados esperados não estão sendo obtidos.


Agora que você já tem as pessoas corretas, e uma estratégia definida com bons critérios, é preciso acompanhar o andamento. É necessário definir os marcos, os responsáveis por cada entrega, os prazos e como o processo será medido. As reuniões de acompanhamento devem ser periódicas e com propósito claro. Todos devem sair do encontro extremamente alinhados com o que deve ser feito, como deve ser realizado, quem deve fazê-lo e qual o prazo máximo para a conclusão.


Quando o líder que se propõe a seguir esses passos, é muito provável que sua empresa se torne uma máquina de execução, e deixe de viver apenas de boas ideias que nunca saíram do papel. Execução é disciplina, e o líder é o principal responsável.


Silvia Baratella, Associada II.

Comentários


bottom of page