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Resenha - De Zero a Um

  • Líderes
  • 3 de ago. de 2023
  • 3 min de leitura

Resenha Crítica por Tito Kalinka, Associado I do Instituto Líderes do Amanhã


“De Zero a Um” é um livro escrito por Peter Thiel, em colaboração com Blake Masters. Thiel é cofundador do PayPal e da Palantir Technologies, uma empresa de software especializada em análise de dados. Investiu em diversas startups, incluindo o Facebook. É sócio da Founders Fund, empresa de capital de risco que financiou startups como SpaceX e Airbnb. Nesse sentido, a ideia central do livro é que o progresso vem do monopólio, não da competição. Se alguém consegue fazer o que nunca foi feito e consegue fazer melhor do que qualquer um, tem um monopólio. Por outro lado, quanto mais a empresa tem de competir, mais se torna parecido com todo o resto. A competição destrói os lucros das empresas, dos indivíduos e da sociedade como um todo.


No início do livro, Thiel nos traz uma breve explanação sobre o progresso, que pode assumir duas formas. O progresso horizontal ou extensivo significa copiar que coisas que já funcionam – ir de 1 a n. O progresso vertical ou intensivo significa criar coisas novas – ir de 0 a 1. O progresso horizontal seria motivado pela globalização, exemplificado pela China como exemplo de um país que copia o que todos já fazem. O progresso vertical é por meio da tecnologia, trazendo algo totalmente inovador ao mercado.


Logo em seguida, apresenta o “Crash das Pontocom”, quando o mercado colocou muito dinheiro em qualquer empresa de tecnologia que existisse no início do século XX. Com isso, após a grande crise, os empresários do Vale do Silício aprenderam grandes lições e que até hoje orientam o pensamento empresarial: fazer avanços graduais; permanecer enxuto e flexível; melhorar com base na concorrência; e concentrar-se nos produtos, não nas vendas. O livro deixa a lição máxima de que no capitalismo tem por premissa a acumulação de capital, mas, sob a concorrência perfeita, todos os lucros desaparecem. A lição para os empreendedores é clara: se busca um negócio duradouro, não deve se desenvolver um negócio de produto indiferenciado. O monopólio é a condição de todo negócio bem-sucedido.


No capítulo 5, o autor apresenta algumas características do monopólio, bem como: tecnologia proprietária, efeitos de rede, economia de escala e branding. Para desenvolver um monopólio, o empreendedor deve começar pequeno, aumentar sua escala e não pensar em disrupção no sentido de desafiar diretamente alguma empresa grande.


No capítulo 7, Thiel aborda a questão do dinheiro aportado por fundos de capital de risco. A maioria das empresas financiadas por capital de risco não chega a abrir o capital ou ser adquirida. A maioria fracassa, geralmente logo após ser criada. Devido a esses fracassos iniciais, um fundo de capital de risco costuma perder dinheiro de início. O erro está em supor que os retornos de capital de risco sejam normalmente distribuídos, ou seja, empresas ruins fracassarão, as medíocres ficarão estáveis e as boas darão retornos imensos. Pressupondo esse padrão equilibrado, os investidores reúnem uma carteira de títulos diversificada e esperam que as vencedoras contrabalancem as perdedoras. Mas, segundo o autor, essa abordagem geralmente dá errado. A razão é que os retornos de capital de risco não seguem uma distribuição normal. Pelo contrário, seguem a lei de potência: um pequeno punhado de empresas supera radicalmente o desempenho de todas as outras.


Além disso, no capítulo 12 o autor traz a relação entre homem e máquina, assunto muito quente ultimamente. Ele aborda que os computadores são complementos para humanos, não substitutos. Os negócios mais valiosos das próximas décadas serão desenvolvidos, na visão de Thiel, por empresários que buscam fortalecer as pessoas, não as tornar obsoletas. As pessoas têm intencionalidade, forjando planos e tomando decisões em situações complexas. São menos boas em compreender quantidade enorme de dados. Os computadores são exatamente o contrário: destacam-se no processamento eficiente de dados, mas lutam para fazer julgamentos básicos que seriam simples para qualquer ser humano.


O livro traz muitos conceitos importantes sobre inovação, startups e como funcionam de uma forma generalizada as empresas no Vale do Silício. Porém, descarta muito facilmente a concorrência em um mercado livre como sendo algo que não gera lucros. O que mais temos na história são empresas que entraram em um mercado extremamente competitivo e tiveram êxito simplesmente colocando processos diferentes e com fome de expansão. Um caso bem interessante para ser analisado é a grande rede de restaurantes “Coco Bambu”. Seus sócios observaram a ideia de outro restaurante de frutos do mar, situado em uma cidade da região nordeste, implementaram melhores processos e expandiram de maneira exponencial, auferindo lucros para seus acionistas. O regime capitalista nos apresenta várias formas de ter sucesso, e não necessariamente por meio de monopólios.


Tito Kalinka, Associado I.

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