Resenha - Arriscando a Própria Pele
- Líderes
- 27 de jun. de 2023
- 3 min de leitura
Resenha Crítica por Thiago Garcia, Associado Trainee do Instituto Líderes do Amanhã
O livro “Arriscando a própria pele” é uma obra relativamente recente (2018) escrita por Nassim Nicholas Taleb, escritor, matemático, filósofo e investidor libanês-americano, nascido em 1960. Além do referido livro, Taleb também ganhou notoriedade com outras publicações, com destaque para o livro intitulado “A lógica do cisne negro”, de 2007. Ele também ministra aulas no Instituto Politécnico da Universidade de Nova Iorque.
No decorrer de “Arriscando a própria pele”, o autor traz exemplos na história, na filosofia e na sua vida pessoal para demonstrar a teria central do livro: as pessoas que tomam decisões devem ser diretamente afetadas pelas suas consequências. Taleb argumenta que muitas pessoas vivem uma vida previsível e segura, mas isso pode levar a uma vida vazia e sem realizações concretas.
Além disso, tomadores de decisões tendem a agir de forma menos cuidadosa quando não têm a “pele no jogo”. Isso leva a um comportamento irresponsável e a decisões equivocadas, que acabam prejudicando outras pessoas. Vale destacar que colocar a pele em jogo se aplica a todos os aspectos da vida.
A obra também esclarece que, ao assumir riscos e enfrentar desafios arriscando a própria pele, uma pessoa tem mais propensão de se tornar antifrágil e crescer com os contratempos da vida. Por outro lado, pessoas que não assumem responsabilidades com possíveis perdas pessoais tendem a ficar enfraquecidas pelas adversidades. Portanto, aqueles que não arriscam a própria pele geralmente estão menos preparados para enfrentar situações difíceis.
Importante ressaltar que, para Taleb, há aqueles que arriscam a própria pele (comerciantes e empreendedores), aqueles que arriscam a pele dos outros (acadêmicos, políticos, jornalistas), aqueles que compartilham o risco com outros (pilotos de avião) e aqueles que arriscam sua pele em favor de outras pessoas (policiais e bombeiros). A crítica central do livro se concentra nos indivíduos que arriscam a pele dos outros.
Essas pessoas são definidas pelo autor como Intelectuais Porém Idiotas (IPI), acadêmicos-burocratas que se sentem no direito de administrar a vida de outras pessoas. Geralmente o IPI não arca com as consequências dos seus atos, ou seja, não paga o preço por estar errado em suas previsões. Nessas situações, quem têm a pele em jogo são as pessoas influenciadas por eles.
Outro conceito trazido por Taleb no livro é o “efeito Lindy”. Trata-se do efeito que o tempo de pessoas arriscando a própria pele tem sobre a durabilidade dos negócios ou projetos. Ou seja, a probabilidade de falha em um projeto está inversamente relacionada ao tempo com trabalho empregado por pessoas que colocam a pele em risco.
O autor também faz uma análise sobre a “regra da minoria”, segundo ele a mãe de todas as assimetrias. Ao contrário do que muitos imaginam, as sociedades são conduzidas por minorias, uma vez que basta um pequeno número de pessoas intolerantes ou virtuosas que arriscam a própria pele, na forma de coragem, para que a população inteira tenha que se submeter a suas preferências.
Nesse contexto, Taleb conclui que a sociedade não evolui por consenso, votação ou maioria. Um grupo reduzido de pessoas é o suficiente para fazer a roda girar de forma desproporcional e com significativo impacto. Basta uma regra assimétrica em algum ambiente e pessoas que se dediquem em determinado objetivo.
No geral, a obra segue uma sequência de ensaios, não adotando uma estrutura convencional de capítulos. Esses ensaios muitas vezes não parecem se conectar, o que traz dúvidas e até um certo desconforto no decorrer da leitura. Por outro lado, essa estrutura permite a abordagem dos mais diversos assuntos, o que enriquece o texto e faz o leitor repensar teorias de diferentes áreas.
O livro nos faz repensar a forma como tomamos decisões e assumimos responsabilidades em diferentes áreas da vida. Essa abordagem oferece uma nova perspectiva sobre a importância da responsabilidade individual, algo muito relevante nos tempos atuais, em que as pessoas pensam mais nos seus direitos do que nos seus deveres.

Thiago Garcia, Associado Trainee.


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