Resenha - Arriscando a própria pele
- Líderes
- 27 de jun. de 2023
- 3 min de leitura
Resenha Crítica por Hermes Vinícius Fim, Associado Trainee do Instituto Líderes do Amanhã
Nassim Nicholas Taleb nasceu no Líbano em 1960 e se graduou em Economia pela Universidade de Paris. É considerado um dos maiores especialistas no estudo de probabilidades e incertezas, além de ser professor emérito de Engenharia de Risco da Universidade de Nova York. Taleb também é um renomado autor e possui livros publicados em mais de 35 idiomas. As ideias do autor estão compiladas na coletânea “Incerto”, a qual é constituída por cinco obras: “Iludidos pelo Acaso: A influência da sorte nos mercados e na vida”, “A lógica do Cisne Negro”, “A cama de Procusto: Aforismos filosóficos e práticos”, “Antifrágil: coisas que se beneficiam com o caos” e “Arriscando a própria pele: Assimetrias ocultas no cotidiano”. Sendo esta última obra uma provocante reflexão sobre o que é arriscar a própria pele, a qual traz a diferença entre a teoria e a prática, além de suas consequências.
A obra “Arriscando a própria pele” traz, de forma provocante, as ideias de Taleb recheadas de exemplos históricos, filosóficos e da própria vida do autor, marca registrada do escritor em suas obras anteriores. Os pontos principais a serem explorados na obra são: a exposição do indivíduo ao mundo e suas consequências; transferência do risco à terceiros; os influenciadores que não se arriscam; a forma mais elevada de virtude é a coragem; corra riscos, mas seja prudente.
Taleb introduz o conceito de simetria, o qual vincula que o indivíduo sofrerá consequências, boas ou ruins, de acordo com seu grau de exposição. Dessa forma, quanto mais uma pessoa se dedicar ao aprendizado de algum tema, mais ela ficará instruída sobre o mesmo. Também faz necessário arcar com os riscos inerentes de suas escolhas. No exemplo fictício do aprendizado, um ônus poderia ser a privação da vida social durante o período de estudo. Mas as boas e más consequências fazem partes das escolhas individuais e não devem ser transferidas.
O Contraponto da simetria é a assimetria. Esta pode ser definida como a transferência do risco à outras pessoas. Assim, não se faz necessário um consenso para que as coisas aconteçam. Para o autor, “basta apenas que um pequeno número de pessoas intolerantes e virtuosas que arrisquem a própria pele, na forma de coragem, para que a sociedade funcione adequadamente”. Os dizeres apresentados podem trazer um aspecto positivo. Porém, torna-se válido ressaltar que minorias podem espalhar tanto consequências positivas como negativas. Esses ônus podem atingir valores primordiais, como a liberdade individual.
Outro conceito interessante apresentado na obra é o IPI (“Intelectual Porém Idiota”). Essa é a definição de Taleb para aqueles que são tratados como intelectuais. Esses adoram dizer o que os outros devem fazer, mas eles mesmo não se arriscam. Em outras palavras, preferem arriscar a pele dos outros, como protecionismo de sua própria. Essas pessoas têm total ciência do poder de seus discursos e sabem como utilizá-los no momento adequado para seu autobenefício. Taleb provoca que o IPI está errado sobre vários fatos históricos, mas traz consigo a convicção de que suas ideias são as corretas.
O autor traz um conselho específico em seu discurso que simboliza o valor da coragem como virtude: “Você deve começar um negócio. Dê a cara à tapa, comece um negócio”. Empreender é sem dúvidas um ato de coragem. Em especial num país como o Brasil, no qual existe uma montanha burocrática para iniciar um negócio e uma outra maior ainda de taxas e tributações para fazê-lo manter-se em pé. Assim, somente aqueles que são verdadeiramente determinados e possuem coragem, conseguem resistir. Sendo a coragem a única virtude que não é possível fingir, segundo o autor.
O último ensinamento de Taleb a ressaltar é o de se arriscar, sabendo o limite dos riscos que está disposto a correr. O indivíduo não pode acreditar na utopia que é possível obter algum benefício de uma situação em que o risco pode ser sua própria ruína. Como afirma o autor, “uma pessoa pode amar correr riscos, mas ser completamente avessa à ruína”. Dessa forma, faz-se necessário ponderar quais as consequências estão dispostos a enfrentar. Assim, saber escolher suas batalhas de forma estratégica e racional.
É possível afirmar que a leitura da obra “Arriscando a própria pele” se faz essencial para aqueles que insistem em viver em suas zonas de conforto e não estão dispostos a se expor ao que o mundo tem para oferecer, o que torna importante fortalecer o conceito de responsabilidade individual. Pois, é por meio do entendimento desse valor que as pessoas conseguirão compreender que os resultados que almejam dependem dos riscos que estão correndo. Assim, é importante saber quais situações quer se envolver, baseado em suas consequências.

Hermes Vinícius Fim, Associado Trainee.


Comentários