O novo velho BRICS
- Líderes
- 17 de out. de 2023
- 3 min de leitura
Artigo de Opinião por Raphael Ribeiro, Associado I do Instituto Líderes do Amanhã
A décima quinta cúpula do BRICS se reuniu em agosto de 2023 para discutir diversos assuntos, mas o principal foi sobre a entrada de novos membros. A motivação principal é devido aos movimentos políticos globais, portanto, o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, agregou mais 6 novos países, sendo eles: Argentina, Egito, Irã, Etiópia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Medida um pouco controversa em alguns aspectos, principalmente econômico, pois países como Argentina e Etiópia, com suas políticas ineficientes nesse aspecto, não agregam de forma positiva. O principal aspecto é a ideologia socialista ou o regime ditatorial dos países, o que permite a criação de um bloco sócio-político econômico forte e de relevância mundial. O que se percebe é a maior influência chinesa no bloco e uma perda do poder de decisão do Brasil, devido a entrada de novos integrantes.
A postura adotada pelo Brasil, na figura do atual presidente do Brasil, Luís Inácio da Silva, é de ser um verdadeiro discípulo dos ideais coletivistas apresentadas por China e Rússia. Essa será a postura hipócrita de Lula para os próximos anos, algo costumeiro ao atual presidente.
Quaisquer ações para o grupo serão ditadas pela China, como sempre ocorreu, e serão necessárias ações de contra-medida para evitar possíveis prejuízos econômicos, caso o BRICS+, passe a desenvolver acordos comerciais daqui em diante. De forma geral, a abordagem geopolítica será coordenada pelo Estado chinês.
Os princípios da liberdade não existirão ou existem na mesa do BRICS, pois com a inclusão dos novos membros, o livre mercado, o Estado de Direito, a propriedade privada e os valores morais são inexistentes ou volúveis. Esse caminho ideológico, o qual é um viés do atual governo, também é acenado pelas principais nações do novo bloco, o socialismo, comunismo, nacionalismo extremistas, que, em resumo, demonstra o famoso comando central, como Friedrich Hayek descrevia e buscava combater. Ideias de comando central, extermínio da liberdade, principalmente na Economia e o principal, extinção da propriedade privada, essas são as principais ameaças a Liberdade, segundo Hayek. Essas ideias foram muito bem apresentadas na sua obra “Arrogância Fatal: Os erros do Socialismo” e deixadas de lição, porém, os componentes do BRICS tomaram o caminho oposto.
Os brasileiros e liberais precisam acompanhar esse movimento, pois trata-se de uma nova etapa política. No entanto, reflete a velha política esquerdista, o coletivismo que anula a individualidade e busca o bem coletivo, como promoção da justiça social.
Discussões e propostas econômicas surgiram. Até mesmo a criação de uma nova moeda, entre os membros do bloco, com o objetivo de enfraquecer o dólar e, obviamente, favorecer a principal economia do grupo. Porém, devem ocorrer outros projetos inusitados nessa mesma área, pois as possibilidades são inúmeras, devido a especificidade de cada novo entrante no grupo. Grandes fornecedores de insumos, de alimentos, minerais e de espaço físico para instalação de projetos industriais. Brasil e Argentina com sua relevância na América Latina, Rússia com sua influência bélica e energética, assim como os países árabes. Países africanos e asiáticos com insumos minerais e de utilização para fármacos e fertilizantes. Um bloco com o maior PIB do globo, com ideias progressistas e com comando único, com Estado máximo e dominante, o que se esperar disso?
Se estivesse vivo, o próprio Hayek, talvez, previsse um bloco dessa magnitude, pois suas obras foram a partir da observação de movimentos similares em sua época. Agora, são os liberais da atualidade, que necessitam entender que não se trata de um admirável novo mundo, como Aldous Huxley,mas sim, de um novo velho grupo. Um novo tempo, porém, a mesma ideia utópica e falha de sempre,o Estado máximo em razão do indivíduo livre.

Raphael Ribeiro, Associado I.


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