O Duelo: Hayek e a Filosofia Anti-industrial
- Líderes
- 30 de mai. de 2023
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Artigo de Opinião por Leonard Batista, Associado III do Instituto Líderes do Amanhã
Com suas raízes no movimento romântico do século XVIII e XIX, a corrente filosófica anti-industrial é uma vertente do pensamento que se opõe à Revolução Industrial e suas consequências.
Jean-Jacques Rousseau, um dos expoentes da filosofia anti-industrial, realizou sua crítica na obra "Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens" e argumentou que a vida simples e natural era superior à vida urbana e industrializada. Por sua vez Henry David Thoreau, que escreveu "Walden" e "A Desobediência Civil", defendeu um estilo de vida simples e autossuficiente em harmonia com a natureza, e criticava a industrialização por sua destruição do meio ambiente.
Tais autores, em sua inocência na busca por um naturalismo utópico, deixaram a luta pela erradicação da pobreza em segundo plano para buscar pautas como uma abordagem mais “justa e sustentável” para o desenvolvimento econômico, com foco nos impactos sociais e ambientais de suas ações. Em outras palavras, pregaram a luta pelo anti-industrial ainda que isto custasse a liberdade e a permanência de muitos indivíduos na pobreza.
Jean Jacques Rousseau, declarando que “o homem nasce livre e por toda parte encontra-se acorrentado”, e desejando libertá-lo de todas as restrições “artificiais”, transformou o que era antes chamado de “selvagem” no herói virtual dos intelectuais. Incitou os indivíduos a se libertarem das “restrições”, mesmo àquelas a que deviam sua produtividade, e produziu uma concepção de “liberdade” que se tornou o maior obstáculo à aquisição da mesma. Depois de afirmar que o instinto animal era melhor guia para a cooperação ordenada entre os homens que a tradição e a razão, o filósofo concebeu a fictícia vontade do povo, por meio da qual o povo “se torna um único ser, um indivíduo”.
O homem selvagem, pregado pelos anti-industriais, estava longe de ser livre; tampouco poderia ter sujeitado o mundo. Em verdade, ele pouco podia fazer sem a concordância de todo o grupo a que pertencia. A decisão principal pressupõe esferas individuais de controle e, portanto, só se tornou possível com a evolução da propriedade privada, cujo desenvolvimento, por sua vez, estabeleceu os fundamentos para o crescimento de uma ordem que transcende a percepção do líder ou da “coletividade”.
Os portadores do racionalismo construtivista e do socialismo não são cientistas notáveis. Eles tendem, antes, a ser chamados “intelectuais”, que Hayek chamou de “vendedores de ideias de segunda mão”.
Nenhum povo deve ser obrigado a se modernizar, tampouco deve ser impedido, por meio de uma política de isolamento, de buscar as oportunidades de modernização.
Hayek, por sua vez, defendeu a liberdade individual como um valor fundamental. Argumentou que esta é essencial para a criatividade, a inovação e a descoberta, e que sua supressão leva à conformidade e à mediocridade.
O planejamento centralizado, o controle estatal sobre a economia e a redistribuição forçada de riqueza são contraproducentes e levam à estagnação econômica e à opressão. A aspiração atávica à vida do nobre selvagem é uma das principais fontes da tradição coletivista.
A luta pela liberdade é uma luta contra a opressão e a tirania. Nenhum outro meio é mais rápido e eficiente para alcançar a prosperidade e alavancar a geração de riqueza do que a liberdade individual e a iniciativa privada.

Leonard Batista, Associado III.


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