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Mídia alternativa não deveria ser vista como substituta da tradicional

  • Líderes
  • 31 de out. de 2023
  • 2 min de leitura

Artigo de Opinião por Luan Sperandio, Associado III do Instituto Líderes do Amanhã


Mídias sociais, blogs, sites, podcasts, canais de Youtube… o conjunto de ferramentas que integra a mídia alternativa tem muitos méritos ao entrar no cotidiano das pessoas conectadas à internet. Com a ascensão desses veículos, grupos políticos à esquerda e à direita críticos à mídia tradicional abraçaram essas ferramentas como forma de comunicação com seus eleitores. Nesse processo, contudo, alimentou-se a equivocada narrativa da morte da mídia tradicional e a substituição desta pela mídia alternativa.


A mídia tradicional pode ser composta por uma grande rede de televisão nacional, enquanto a mídia alternativa pode ser um canal de YouTube especializado.


A primeira possui um alcance amplo e massivo, atingindo públicos diversificados, assim como uma rede de televisão alcança uma audiência nacional. Isso é fundamental para a disseminação de informações de interesse público, como notícias, eventos políticos e informações globais. A mídia tradicional também se destaca em termos de qualidade informacional e apuração de fatos. Grandes veículos de comunicação investem recursos significativos na investigação e verificação de informações relevantes ao debate público. A credibilidade e a confiabilidade desempenham um papel crucial na construção da confiança do público. Quando se incorre em erros, os danos reputacionais cobram seu preço por meio de patrocínios e publicidades de anunciantes com valores menores.


A mídia alternativa também desempenha um papel valioso na sociedade moderna. Um canal especializado pode ser focado em nichos específicos e capaz de atrair um público altamente engajado. A mídia alternativa oferece uma plataforma flexível para a expressão de ideias e opiniões, permitindo que vozes marginais e perspectivas não convencionais sejam ouvidas. Além disso, se caracteriza pela agilidade e capacidade de adaptar-se rapidamente às mudanças de tendências e necessidades do público. Sua interatividade e feedback em tempo real criam um espaço para diálogo e discussão ativa.


Mas há limitações significativas que a impedem de substituir a mídia tradicional. Primeiramente, a qualidade informacional pode ser uma preocupação. A falta de recursos e o menor foco na apuração de fatos podem resultar em informações menos confiáveis e precisas. Isso pode prejudicar a tomada de decisões informadas por parte do público. Geralmente, podcasts, youtubers, influencers, produzem conteúdo pegando carona na apuração de investigações longas e caras conduzidos pelos veículos tradicionais.


Outra limitação importante é a tendência à criação de bolhas e narrativas virtuais segmentadas. A mídia alternativa muitas vezes atrai um público com visões ideológicas semelhantes, reforçando crenças existentes em vez de promover a diversidade de opiniões. Isso pode contribuir para a polarização e a fragmentação da sociedade.


Por fim, apesar do crescimento na conectividade, boa parte dos brasileiros, em especial os da regiões norte e nordeste, ainda possuem como principal ferramenta de informação a televisão aberta. E sua audiência é significativamente maior. A audiência do programa eleitoral de candidatura à presidência somente na grande São Paulo, foi maior em 2022 do que todos os acessos aos mesmos candidatos nos maiores podcasts do país.


Não significa que uma plataforma rivalize necessariamente com a outra, somente que a narrativa de que uma substitui a outra não é factível. Ao menos não em 2023.


Luan Sperandio, Associado III.

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