top of page

Muito Além do Cidadão Kane merece ser visto e refletido

  • Líderes
  • 31 de out. de 2023
  • 3 min de leitura

Artigo de Opinião por Luan Sperandio, Associado III do Instituto Líderes do Amanhã


A manipulação da informação é mais facilitada quando há concentração de mídia e interferências na liberdade de imprensa por parte do poder político. Um documentário clássico que contextualiza como isso ocorreu no Brasil é a obra "Muito Além do Cidadão Kane", de 1993. Dirigido por Simon Hartog, o documentário apresenta uma visão extremamente crítica da Rede Globo de Televisão e de seu fundador, Roberto Marinho, expondo uma série de questões relacionadas ao poder, à mídia e à política no Brasil.


O documentário merece crédito por sua coragem ao levantar questões complexas e importantes sobre a mídia brasileira. Ele destaca a concentração de mídia nas mãos de poucos, o que é um problema real em muitos países, incluindo o Brasil. Além disso, o filme joga luz sobre a relação entre a mídia e o poder político, destacando a influência considerável que a Rede Globo teve na política brasileira ao longo dos anos.


Ele destaca a concentração de mídia no Brasil, com a Rede Globo controlando uma grande fatia do mercado de televisão e, por extensão, influenciando profundamente a narrativa e a opinião pública. Ao longo das décadas de 1970 e 1990, mais notadamente, aponta-se a influência da Rede Globo na manipulação da informação e na formação de opiniões públicas ao longo dos anos, usando seu alcance para promover agendas específicas a partir de conexões entre a Globo e políticos influentes, sugere que a rede de televisão frequentemente influenciou e moldou a política brasileira. Isso inclui a repressão durante a Ditadura militar, em que a emissora teve um papel ambíguo, ao apoiar o regime em certos momentos e se opor a ele em outros.


Ao expor essas questões, o filme argumenta a favor de uma mídia mais diversificada e independente no Brasil, destaca a importância da liberdade de imprensa e da democratização da comunicação.


A despeito de pontos positivos, "Muito Além do Cidadão Kane" é fortemente tendencioso em sua abordagem. O documentário apresenta uma visão unidimensional e excessivamente crítica da Globo e de Roberto Marinho, deixando pouco espaço para nuances ou perspectivas alternativas. Embora seja legítimo questionar o papel da mídia e do poder na sociedade, o filme peca ao não oferecer um debate equilibrado sobre essas questões.


Outra limitação significativa do filme é a falta de entrevistas ou declarações daqueles que estavam diretamente envolvidos na Rede Globo ou na política brasileira na época em que os eventos ocorreram. Isso deixa o público com uma visão parcial da história, baseada principalmente em entrevistas com acadêmicos, jornalistas e ativistas críticos da Globo.


Além disso, o documentário é datado, visto que foi lançado há décadas e não reflete a paisagem midiática em constante evolução do Brasil desde então. Não leva em consideração as mudanças nas dinâmicas de mídia e as transformações sociais e políticas que ocorreram no país, ou mesmo o mea-culpa que a própria emissora realizou na sequência em diversos episódios ao longo de sua história.


Na Era da Informação, essa concentração midiática foi mitigada, com seus prós e contras, que incluem a diversidade de visões de mundo, mas também desafios como bolhas virtuais, a falta de apuração profissional e fake news. De toda sorte, muito Além do Cidadão Kane merece ser visto pelas reflexões que traz, e absorvido com a devida reflexão crítica e cautela.


Luan Sperandio, Associado III.

Comentários


bottom of page