A verdade depois dos corais
- Líderes
- 3 de ago. de 2023
- 2 min de leitura
Artigo de Opinião por Caio Gamberini, Associado I do Instituto Líderes do Amanhã
O mar geralmente é mais calmo antes dos corais. Geralmente é a parte onde pessoas se banham e praticam esportes. Mas o que se apresenta depois dos corais? E o que isso tem a ver com o ambiente empresarial? Em resumo, sabemos que é gostoso demais trabalhar numa empresa onde todos chegam sorrindo, saem sorrindo e permanecem o tempo todo num equilíbrio emocional. E claro, se puder bater meta junto, aí vira o sonho de todos os colaboradores. Mas quais empresas convivem com esse cenário de calmaria que existe antes dos corais?
A resposta é que muitas empresas convivem com essa calmaria. Não pelos resultados, mas pela cultura de não trabalhar com a verdade em cima da mesa. Os resultados ficam onde? Em que momentos as verdades de cada setor são debatidas entre si? Existe uma cultura de gestão e reuniões, em que as verdades de cada um são debatidas? Nessas empresas, onde a meta está diretamente atrelada ao nível da maré dentro da operação, não existe mar calmo e nós já sabemos em qual tipo de oceano se produzem ótimos marinheiros.
Entretanto, existem diversas técnicas que possibilitam aumentar os níveis da maré dentro da empresa. Uma delas é querer de fato, enfrentá-la diariamente e ter técnicas de como sobreviver nesse mar, ao invés de se trancar numa cabine e fingir que está à deriva de um mar sem ondas. Essa fé inabalável, juntamente com as técnicas de sobrevivência, transformam o marinheiro de primeira viagem na mais alta patente dentro da empresa, formam pessoas resilientes e batedoras de meta. Para fugir da calmaria, muitas empresas trabalham com metas conflitantes, em que as metas individuais precisam impactar na meta de outra pessoa, ou seja, dificilmente as duas estarão preenchidas com pincel atômico verde ao mesmo tempo nos quadros de gestão à vista. Nesse caso, uma área precisa se justificar, indicando os gaps que a outra área tem e atrapalha a empresa de chegar no porto de destino.
Outro caminho é escolher bem os tripulantes. Pessoas certas se automotivam e, com isso, menos inverdades são necessárias serem colocadas a bordo para fortalecer o engajamento do time. Por último, busque outros mares, saia do escritório, promova reuniões em ambientes externos, em que o funcionário possa sempre municiar o gestor das verdades. Reuniões de desempenhos, promoções e até entrevistas de desligamento, feitas fora das quatro paredes, promovem a verdade.
Exemplo disso é Churchill, durante a Segunda Guerra Mundial, que instituiu o gabinete estatístico, no qual ele preferia ficar noites sem dormir por ter reuniões que diziam a verdade ao fim do dia do que dormir fantasiando sonhos irreais. Basta o gestor das empresas terem essas escolhas. Promova o melhor ambiente para que a verdade nua e crua esteja presente na empresa e assim, alcance resultados excelentes. Ou então, viva numa calmaria de mentira e cuidado com o mar. Entretanto, cuidado, afinal, como afirma o conhecimento popular, camarão que dorme, a onda leva.

Caio Gamberini, Associado I.


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